Meados do século XVI

A população, que antes se concentrava na capital de São Paulo, começou a dispersar em direção às matas localizadas no interior do Estado. Foram assim surgindo, numerosos núcleos de povoações. Neste momento, foi apontado na história, a presença de um povoado com a presença de aldeias indígenas. Localizado na região do médio Paraíba, no topo de uma colina rodeada por montanhas, o povoado foi fundado por Gaspar Cardoso, o Capitão Mor de Mogi das Cruzes que se tornou, posteriormente, o Arraial da Escada.

1560

Segundo o advogado, historiador, político e escritor, Aureliano Leite, em 1560, o explorador português, Brás Cubas, embrenhou-se pelo sertão e descobriu ouro em vasta sesmaria que chega quase à margem esquerda do Rio Anhembi (Tietê).

1562

A descoberta é comunicada ao Rei por carta datada de 25 de abril de 1562. Após a descoberta, Brás Cubas começa a descer, seguindo pelo Rio Paraíba e atravessando a Mantiqueira. Desta forma, como relata o autor Isaac Grinberg, no livro História de Mogi das Cruzes, Brás Cubas esbarra no Rio São Francisco e foi o primeiro Bandeirante a pisar no solo onde atualmente é o município de Guararema.

1608

Segundo Isaac Grinberg, o Bandeirante Gaspar Vaz da Cunha obtém uma sesmaria em Mogi das Cruzes, neste ano, em 22 de setembro.

1611

Gaspar Vaz funda o Aldeamento da Escada para onde são levados os índios já catequizados.

1625

O Aldeamento é entregue aos jesuítas que sobreviviam da lavoura. Devido ao posicionamento geográfico, por muitas décadas, o local servia de parada obrigatória aos caminhantes que faziam o trajeto de São Paulo para o Rio de Janeiro e vice-versa. Os jesuítas protegiam os índios e, com isso, conquistaram muitos inimigos, inclusive Gaspar Vaz que defendia a escravização dos índios. Estes inimigos atacavam as aldeias e destruíam as reduções jesuíticas (também chamadas de missões, as reduções eram aldeamentos indígenas organizados e administrados por jesuítas).

1640

Os ataques eram tão frequentes no Sul do Brasil e Uruguai que levaram os jesuítas a reclamarem ao Papa que, em 1640, declarou os índios da América, livres. Com isso, os colonos decidiram pela expulsão dos jesuítas de toda a Capitania.

1652

Os padres jesuítas ergueram a primeira capela no Arraial.

1654

Os frades capuchinhos ergueram a Capela em louvor à Nossa Senhora da Escada. Entre o lugar onde foi erguida a Capela e a barragem do rio, existia uma escada.

1732

Um dos índios, que era chamado pelos portugueses de Sebastião Silva, foi nomeado Capitão-Mor dos índios do Arraial da Escada, no dia 15 de dezembro. Neste ano a Capela original foi demolida por estar em mal estado de conservação e deu lugar à nova Capela.

1734

Com a chegada dos Franciscanos, um alojamento foi erguido e passou a funcionar como um convento. Foi construído em taipa de pilão. Inicialmente, a Capela recebeu o nome de Nossa Senhora da Conceição, mas logo mudaram para Nossa Senhora da Escada. São várias as hipóteses sobre a mudança do nome da Capela. Uma delas, considerada a mais provável, é que segundo a tradição popular, os indígenas tinham por hábito, colocar sobre a sepultura dos mortos, um fardel cheio de alimentos e uma escada que seria para a subida da alma até o reino de Tupã, realizar-se de maneira tranquila. Os padres, que tinham conhecimento deste “ritual”, esculpiram degraus ao redor da Virgem para que, desta forma, se estabelecesse uma ligação entre as crenças pagãs e a religião adventícia, facilitando a catequização. Segundo Leonardo Arroyo, em Igrejas de São Paulo, tendo conhecimento do que estava acontecendo no Arraial da Escada, o Padre da Vila de São Miguel, com o apoio do Vigário da Vara de São Paulo, André Baruel, autorizou a retirada das “imagens e alfaias”, assim como de 46 índios que viviam na Igreja da Escada. Os vereadores da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, reuniram-se com o povo de São Miguel e recuperaram as imagens e os índios que haviam sido tomados.

1846

Em 19 de fevereiro, o Arraial da Escada foi elevado a Freguesia da Escada, pelo seu desenvolvimento. 1850 A atração exercida pelos outros vizinhos atrofiou a propriedade e a Freguesia retornou ao seu estado de Arraial, pela Lei n.º 06 de 23 de maio.

1872

Pela Lei nº 01 de 28 de fevereiro, foi definitivamente elevado a Distrito de Paz. Seus primeiros dirigentes foram: Benedito Antônio de Paula, Antônio de Mello Franco e Joaquim Alves Pereira. Como vigário da nova Paróquia que surgia, veio o Padre Miguel Piement. Em 3 de julho de 1.872, a Capela de Nossa Senhora da Escada foi instituída canonicamente e hoje faz parte do Patrimônio Histórico Nacional.

1875

Dona Laurinda de Souza Leite, com a finalidade de auxiliar uma ex-escrava, Maria Florência, fez-lhe doação de um quinhão de terra situado às margens do rio Paraíba. Em lugar plano, distante a 6 km do Arraial da Escada, pouco acima do Ribeirão Guararema. Levada por sentimentos religiosos, Maria Florência deliberou construir numa parte do terreno recebido, uma capela para o Santo padroeiro de sua devoção: São Benedito. Com auxílio de outras pessoas e algumas economias suas, Maria Florência, em pouco tempo, conseguiu terminar a construção da Capela de São Benedito. Aos poucos, foram se estabelecendo outros moradores aos arredores da capela, formando-se um vilarejo que recebeu o nome de “Guararema”, do tupi guarani, Pau D’Alho, devido à abundância dessa árvore na região.

1876

Foi inaugurado o trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil, entre Mogi das Cruzes e Jacareí.

1890

Com a passagem da Estrada de Ferro pela Vila, houve um desenvolvimento rápido e, por Decreto de 08 de janeiro, a sede do Distrito da Paz da Escada foi transferida para o povoado de Guararema.

1898

Pela Lei nº 528 de 3 de julho, o povoado de Guararema foi elevado a Município.

1899

Foi instalada, no dia 19 de setembro, a primeira Câmara Municipal de Guararema. Foram empossados: Major José de Paula Lopes, Joaquim Payão, Maximiano Prudêncio de Mello, Benedicto de Souza Pinto, Joaquim Alves Pereira e Benedicto de Souza Ramalho. Em 23 de setembro, foram realizadas eleições dos Poderes Municipais, sendo presidente o Major Paula Lopes e vice-presidente Joaquim Payão. Foram Intendentes Municipais: Benedicto de Souza Ramalho, Secretário (músico e compositor), Júlio César Nascimento; Comissão de Justiça e Finanças: Major José de Paula Lopes e Joaquim Alves Pereira; Comissão de Obras Públicas e Higiene: Benedicto de Souza Ramalho, Benedicto Pinto de Souza e Maximino Prudêncio de Mello.

1906

A Sede Municipal foi elevada à categoria de Cidade, pela Lei nº 1038 de 19 de dezembro.

1941

Foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o conjunto representativo da Arquitetura Colonial Brasileira, construído em 1734, no dia 25 de janeiro.

Guararema nos dias atuais

De acordo com a última divisão administrativa do Estado de São Paulo, Guararema pertence à região da Grande São Paulo. Em junho de 2017, Guararema foi reconhecida como Município de Interesse Turístico, ou seja, o município atendeu a todos os requisitos estabelecidos pela Lei Complementar nº 1.261 de 29 abril de 2015 que estabelece condições e requisitos específicos para a classificação de Estâncias e de Municípios de Interesse Turístico, como: a elaboração de um Plano Diretor de Turismo, a ativação do Conselho de Turismo, levantamento dos potenciais de visitação da cidade, entre outros. Guararema conta com uma Comarca e o seu Cartório Eleitoral está localizado no Município de Mogi das Cruzes, pertencendo à 319ª Zona Eleitoral. Possui uma Delegacia de Polícia Civil de 5ª classe, pertencente ao DEGRAN, subordinada à Seccional de Mogi das Cruzes e um Departamento de Trânsito – Ciretran. A Polícia Militar tem a sede da 3ª Cia do 17º BPM/M em Guararema e também está presente na Base do Corpo de Bombeiros que tem sua estrutura compartilhada com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Quem nasce em Guararema denomina-se guararemense. O aniversário da cidade é no dia 19 de setembro.

 

Fotos: Arquivo do jornal Guararema 111 anos (Setembro de 2010).